“Ai destino! Ai destino!”

 

Sempre se ouviu, mas parece-me que hoje em dia muito mais ainda, que o nosso destino está traçado, independentemente se para melhor ou para pior. Cada um tem que aguentar e viver a “herança” que recebeu…

Claro que todos carregamos uma “bagagem”, a nossa história ou dos nossos pais, todos nós de alguma maneira herdamos coisas boas e outras menos boas.

Escusado será dizer que em relação às boas, não nos interessa mexer muito, mas em relação às menos boas, todos gostaríamos de fazer alguma coisa em relação a isso.

Bem, todos não é bem assim. Infelizmente há quem pense que não há nada a fazer, ou nem se possa fazer nada em relação à carga que se recebeu ou simplesmente se foi acumulando.

Há homens que, por exemplo, porque os pais foram alcoólatras, eles também o têm de ser ou não conseguem evitar ser; isto soa de facto ridículo, mas infelizmente quantos casos existem?!

Outros ou outras, foram abusados enquanto crianças e, fruto disso, hoje não conseguem relacionar-se, criar afeição, amar e ser amados?! Ou no pior dos casos, porque foram abusados, hoje abusam, sem entender muito bem o porquê.

Lembro que no passado até em relação às profissões esta questão se dava. Muitas vezes passava “obrigatoriamente” de pais para filhos. Era como se o filho não tivesse direito a optar por outra profissão; o destino estava traçado!

Há pessoas, falando de religião, que não conseguem mudar ou simplesmente dar uma oportunidade a algo novo, melhor e diferente. Argumentam que foi o que herdaram e aprenderam e por isso estão “presos”.

Uma coisa é o que recebemos ou aprendemos, outra é permitirmos que essa “bagagem” condicione ou mesmo decida o nosso destino. Todos nós recebemos coisas boas e menos boas, mas cabe a cada um decidir o que fazer com isso ou o que essas coisas farão em nós, enquanto pessoas.

Sobretudo, quando falamos de fracassar ou errar ou mesmo na questão da identidade do individuo, deveríamos ponderar, refletir, e independentemente dos fatores ambientais, sociais, familiares, perceber que o nosso futuro pode mudar hoje!

Há um texto na Bíblia que, de alguma forma, se aplica literalmente ao que estamos a dizer: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.” (Mateus 11:28, NVI)

Jesus está junto a uma multidão, que pode representar-nos a nós também. Multidão essa, composta de vários tipos de pessoas, cada uma com a sua história, com a sua “bagagem”, com o seu passado. Gente com traumas familiares, doenças, pobre, religiosa; uns com expectativa no futuro, outros completamente caídos.

Se olharmos à nossa volta, a multidão não é assim tão diferente daquela que estava ao redor de Jesus, e nós não estamos assim tão distantes deles.

A sensação com que fico, é como se Jesus ao olhar para aquelas pessoas, ficasse desconcertado ao ver tanto potencial, tanta vida, tanto para fazer e para descobrir, tanto para dar, mas a ser desperdiçado por causa de um passado que estava a condicionar o presente e o futuro daquelas pessoas.

Creio que hoje, a mesma paixão de Jesus se mantém. Naquele dia o que Jesus afirmou, o desafio feito, ainda se mantém. Ele deseja aliviar-nos desse destino traçado, dessa inevitabilidade de mudança para melhor, desse peso que limita o andar, o nosso progresso, os nossos sonhos, o sermos pessoas felizes e realizadas.

Jesus veio para nos dar a oportunidade de termos escolha! Com Ele, por Ele e para Ele, é possível não só começar de novo, mas começar bem para podermos acabar bem!

Há pessoas que apenas desejam uma oportunidade, uma chance para mudar de vida, e Jesus não apenas dá a oportunidade, Ele é a oportunidade! Rejeitá-Lo, é perder a chance de começar de novo e bem. O Seu desafio e oferta, não é apenas largar o passado, é mais profundo que isso. É largar voluntariamente o passado e da mesma forma, voluntariamente, segui-Lo.

Muita gente quer apenas um lugar, um “contentor” onde despejar o lixo de uma vida acumulado, e por vezes até tem encontrado esse lugar, numa nova relação, numa nova igreja, num novo trabalho, numa nova cidade… o problema é que a pessoa continua a mesma e por isso nada muda. Livrou-se de algumas coisas indesejadas, mas as feridas não foram curadas, o caráter atrofiado não foi restaurado. A pessoa continua a mesma, a bagagem, os pertences pessoais, o feitio, a personalidade, a desconfiança, a tristeza, o peso continuam lá.

Por causa disso, tanta gente se afunda de relação em relação, em vícios, em mentiras… alguns chegam mesmo a terminar com a própria vida, tal é o desespero do peso que carregam. Desistem porque se convenceram que aquele era o seu destino, o seu fim. Desistem porque não conseguem mudar, não conseguem aceitar-se como são e o que fazem. Desistem e rendem-se a uma vida que não queriam mas que não conseguem alterar nem encontrar alternativa.

É por isso que o desafio e convite de Jesus tem que ecoar nos nossos dias — tem que chegar ao máximo de gente possível. A multidão está cansada, sobrecarregada. A maioria já desistiu, a maioria já se rendeu… não está consolada, mas conformou-se, e nós precisamos ser a voz de Jesus no deserto em que a nossa sociedade e comunidades se tornaram: gente carregada de tudo, mas vazia de sentido, de propósito, de esperança.

O desafio de Jesus é o único que oferece uma saída limpa e totalmente libertadora. Ele oferece alívio, não vida fácil, mas alívio numa vida que por vezes é bastante difícil. O alívio não vem por ficarmos “mais leves”, mas porque agora temos a Quem seguir, agora temos caminho, agora temos direção, agora temos um sentido, uma razão. Agora, entendemos melhor de onde viemos, onde estamos e para onde estamos a ir. Sem Jesus apenas “vamos indo”, não sabemos muito bem para onde. Sem Jesus apenas carregamos um peso sem entendermos a razão. Sem Jesus o cansaço será sempre maior.

Nos versos seguintes (29 e 30) Jesus compromete-Se connosco, de forma pessoal. Primeiro alivia e trata da carga, depois cuida pessoalmente de nós.

“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”

Ele sabe que não pode apenas tirar o peso do passado, porque sabe que, mais cedo ou mais tarde, nos iremos carregar de novo com uma carga igual. Por isso Ele oferece, ou melhor oferece-Se para ser nosso companheiro de viagem, ser nosso tutor, conselheiro, ajudador. Ele desafia-nos a vir a Ele, a segui-Lo, mas não à nossa maneira, mas à Sua, por isso convida-nos a tomar o Seu jugo. A ideia é ficarmos ligados a Ele e Ele a nós, agora a Sua vida, o Seu presente e o Seu futuro podem ser os nossos também! Ele é diferente de tudo e de todos os que fizeram parte do nosso passado, sobretudo de tudo o que influenciou a nossa vida para pior. Jesus é muito melhor e por isso tem e pode dar-nos o melhor!

Jesus quer trazer alívio e descanso ao nosso interior, porque é ai que se dão as decisões, as tomadas de posição. Jesus quer dar-nos a Sua paz, o Seu descanso em oposição ao nosso passado que nos roubou a alegria, a esperança, os sonhos. Agora, com Jesus, podemos sonhar outra vez, podemos ter esperança, podemos levantar a cabeça. Sim, há um fardo que teremos que carregar, mas mais leve que qualquer outro, o fardo do compromisso com Ele: onde Ele for, nós iremos, o que Ele falar é o que falaremos, o que Ele nos pedir nós faremos, incondicionalmente, ininterruptamente.

Ninguém está apto para honrar a Deus sozinho, por isso Jesus nos convida a nos juntarmos a Ele. Ele jamais nos deixará ou desamparará.

Talvez o teu passado, a tua bagagem, a tua história diga algo sobre o teu futuro. Talvez aches ou te disseram que jamais poderias mudar isso ou a tua condição ou mesmo que tu és. Mas hoje quero dar-te uma alternativa, aliás, A Alternativa – Jesus – com Ele tudo pode ser novo, com Ele haverá certamente um novo caminho com um novo e melhor fim.

O teu destino não está traçado; deixa que Deus escreva a tua história, a tua melhor história! “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho, e já chegou o que é novo.” (2 Coríntios 5:17, NTLH)

Daniel Borrego
Pastor evangélico
Pontinha

 

Artigo da revista: Novas de Alegria