Para onde vou?

Dois destinos aguardam cada ser humano, após a sua morte! O ser humano não se extinguirá com a morte. Ele “desaparece” dentre os viventes, mas permanece existente em um outro lugar além da dimensão terrestre e visível. Essa continuidade de existência é consciente.

A palavra “morte” não significa “fim de existência” ou “fim de atividade”, mas, “separação”. Na morte dá-se uma separação: separação em relação aos que prevalecem vivos, e separação do próprio espírito do corpo. As Escrituras declaram que na morte “o pó (o corpo) volta ao pó que o deu, e o espírito volta a Deus” (Eclesiastes 12:7, parêntesis do autor). Isto é, o espírito separa-se do corpo. Quando isso acontece o corpo deixa de funcionar. Daí a expressão “defunto”, do radical latino “functio”, traduzido por “função”. O apóstolo Tiago escreveu que “o corpo sem o espírito está morto” (Tiago 2:26).

Jesus contou uma história na qual aprendemos o que se passa após a morte (Lucas 16:19-31). O espírito humano, ou, a alma humana, após a morte segue, ou para o céu, onde entra em descanso e desfruta da consolação celeste; ou para o inferno, onde ali já sofre tormentos. Em qualquer situação a alma prevalece consciente: ambos sabiam onde estavam, o que viam, o que sentiam e falavam. Porque, efetivamente, o saber, o ver, o sentir, o falar e outras funções do corpo, são funções da alma. O corpo é o meio através do qual a alma contacta com o mundo terrestre e se manifesta.

Qualquer um destes estados é intermediário, isto é, não é a condição definitiva. A alma, tanto do salvo que está no Céu, como do perdido, que está no inferno, aguarda a ressurreição do corpo. O corpo sepultado, independentemente do estado de decomposição, será revificado e ressurgirá. A alma reincorporará nesse corpo ressurreto.

Jesus falou em duas ressurreições: a da vida eterna e a da morte eterna (João 5:28-29). Paulo chama a primeira de “ressurreição dos justos” e a segunda de “ressurreição dos injustos” (At. 24:15). Jesus ratifica as palavras do profeta Daniel, o qual já havia pronunciado que “muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno” (Dn. 12:2). Destes três textos bíblicos que descrevem a ressurreição extraímos as seguintes conclusões:

1) O cemitério não é a “última morada” das pessoas, como comummente se ouve em cerimónias fúnebres;

2) Os destinos dos ressurretos, tanto dos justos como dos injustos são eternos, isto é, onde vão parar ali ficarão para todo o sempre;

3) A distinção não é só de lugar mas é também de qualidade: “vida” para os justos, “vergonha e desprezo eterno”para os injustos.

4) “vida” neste contexto significa vida espiritual (“zoe”) e não da vida física (“bios”). Significa viver para sempre junto de Deus, no Seu Lar. Jesus prometeu que os Seus seguidores viveriam para sempre com Ele, na “Casa do Pai” (Jo. 14:1-3). Esta promessa realizar-se-à aquando da ressurreição (I Ts. 4:13-17). Também, se refere a uma nova “substância” de que os corpos serão possuídos. O apóstolo Paulo informa que os corpos da ressurreição terão uma natureza celestial, em que um dos aspectos é serem revestidos de imortalidade, isto é, de vida sem fim (I Co. 15:48-54). Noutra oportunidade, ele descreve o corpo da ressurreição, do salvo, como sendo de origem celestial e um revestimento de vida (II Co. 5:1-4). Ainda informa que o corpo do cristão ressurreto é igual ao corpo glorioso que Jesus recebeu na Sua ressurreição (Fp. 3:20-21).

5) “morte”, já vimos que o significado da palavra é “separação”, que no contexto da ressurreição, trata-se da separação eterna de Deus, isto é, o “injusto”, não mais terá oportunidade de se reconciliar com Deus. A Bíblia também a designa de “segunda morte” e a vincula ao “lago de fogo e enxofre” (Ap. 20:14-15, 21:8). Aqueles que nele forem lançados terão a triste e horrível companhia do diabo e seus comparsas, os demónios, e serão atormentados “para todo o sempre e não têm descanso, nem de dia nem de noite” (Ap. 14:10-11, 20:10; v. tb. Mt. 25:41).

Concluo transcrevendo um texto evangélico que regista estas palavras de Jesus: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16-18). A resposta à (sua) questão “Para onde vou?” é determinada pela sua decisão pessoal e individual em relação à Pessoa de Cristo! Ele veio como demonstração do amor de Deus por nós – apesar de não o merecermos – para na cruz, onde foi levantado, receber toda a punição que os nossos muitos pecados exigiam! Ao rejeitá-Lo, o seu destino é a condenação eterna, o mesmo que lago de fogo e enxofre. Ao recebê-Lo de todo o coração, o seu destino é a vida eterna – viver para todo o sempre no céu, junto de Deus e de Jesus!

 

Artigo da revista: Novas de Alegria